sábado, 15 de março de 2014

TOP 10 - Dez características do cinema de Lars Von Trier


Lars Von Trier está de volta aos cinemas com a segunda parte de seu Ninfomaníaca. A oportunidade enseja uma análise mais vertical da obra do cineasta e dos elementos fundamentais de sua filmografia. O TOP 10 do mês observa as dez principais características do cinema do diretor dinamarquês.

10 - Cronologia temática
Lars Von Trier costuma pensar sua obra em trilogias. As trilogias da Europa, da América (ainda incompleta), do coração de ouro e da depressão compõem um painel que rima abstração com concretude na construção fílmica de um dos cineastas mais autorais da contemporaneidade.

9- Estilização
Um filme de Lars Von Trier parece um filme de Lars Von Trier. Desde o enquadramento desajustado até o ritmo lento, seus filmes têm fôlego próprio. Seus últimos trabalhos têm chamado ainda mais atenção por uma tarimba visual ainda mais peculiar.

8 – Capítulos
Outro aspecto comum em sua filmografia é a divisão do filme em capítulos. Em Ninfomaníaca ele radicaliza ainda mais essa característica levando para as telas oito capítulos. Essa opção reforça sua afinidade com a lógica das óperas tão ressaltada em seus últimos trabalhos.

7- Stellan Skarsgärd
Não há ator com quem Von Trier tenha trabalhado mais. Presente na maioria dos filmes de Von Trier, dos últimos seis só não esteve em AntiCristo, o ator sueco é um parceiro capaz de assumir as funções mais variadas nos delírios narrativos do cineasta mais polarizador da atualidade.

6 - Opulência narrativa
Von Trier não alivia. Seus filmes são frequentemente classificados como pesados. E o são, de fato. Von Trier mitiga seu espectador com dramatizações pujantes e um humor perverso, mas raríssimo. Opções estéticas diversas contribuem para o sentimento de estafa que se estabelece de quando em quando.

5 - Psicologização
Von Trier não esconde sua admiração pela psicologia e ostenta seu conhecimento, por vezes inesperadamente trôpego, em toda e qualquer oportunidade de “psicologizar” os conflitos intrínsecos ao filme e aos personagens.
O choque como autopromoção é uma de suas assinaturas

4 - Protagonistas femininas
O acusam de ser misógino, mas fato é que o cinema de Von Trier se debruça sobre o feminino. Ele já disse que escreve sobre si e feminiliza suas angústias na tela. De qualquer modo, ainda que sofredoras extremas, suas personagens femininas ostentam força indelével no cinema moderno.

3 – Sexo
De alguma maneira, Von Trier sempre circundou o sexo como interesse temático em seu cinema. Ninfomaníaca apenas tonifica um tópico contumaz na filmografia do cineasta. Filmes como Os idiotas, Ondas do destino, Dogville e AntiCristo de alguma maneira, já se ocupavam da questão.

2 – Culpa
Um diversionamento do sexo, em algum aspecto, mas também um conceito absoluto em si.  A culpa é uma das forças motrizes do cinema de Von Trier. Seja de um personagem, como em AntiCristo ou Dançando no escuro, ou seja um traço coletivo como em Dogville ou Melancolia.

1-Reverberação filosófica
Como atestam as posições anteriores desta lista, Von Trier é chegado em um café filosófico. Em Ninfomaníaca este interesse é mais vívido do que qualquer outra interjeição mais gráfica sobre sexo. Von Trier filosofa em seus filmes como se o amanhã dependesse disso. 

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