segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Um outro olhar sobre A origem


O especial aqui no blog acabou, mas A origem continua provocando acaloradas discussões. É o filme do ano. No sentido de se colocar como debate central sobre o cinema e de conduzir o público a extremos do tipo: “amei”, “odiei”, “é um horror!”, “é espetacular!”. Enfim, A origem polariza e continua a reverberar na mídia com o mesmo ímpeto de quando estreou.
Um dos grandes críticos de cinema do país, e um dos que atuam há mais tempo também, Inácio Araújo, do jornal Folha de São Paulo, escreveu em seu blog uma opinião contrária ao filme. Diferentemente de muitos dos algozes do filme de Nolan, o articulista da Folha embasa muito bem sua opinião. Apesar de Claquete na crítica publicada no dia 9 de agosto (clique aqui para ler de novo) ter se pronunciado favoravelmente ao filme de Nolan, é benéfico para o cinema - e para o debate que A origem conclama cinéfilos e espectadores incautos a participarem - repercutir a crítica de Araújo.
O articulista classifica o filme como “uma versão pedante e intimidadora de Onze homens e um segredo”. Segundo o crítico, isso ocorre porque “ onde Onze Homens e um segredo se apresentava como uma saudável diversão, para nós, e alegre aventura, para os personagens, desta vez existem vários aspectos cuja intenção é colocar o espectador na defensiva e colocá-lo em posição de ou gostar do filme ou se sentir uma besta”.
O crítico encerra o seu raciocínio definindo A origem como um “falso brilhante”. Categoria de filme que, segundo ele, pode até impressionar o espectador em um primeiro momento, mas que no instante seguinte desaparece de suas preocupações, de suas lembranças, de seu mundo. Pode-se discordar de Inácio, mas suas palavras não são de todo vazias. Para ler todo o texto do crítico da folha, clique aqui.

5 comentários:

  1. Concordo que é sempre bom ler opiniões contrárias sobre filmes como "A Origem", ainda mais se elas forem bem fundamentadas, como parece ser o caso da que você citou em seu texto. Uma outra crítica negativa que achei interessante foi a da Barbara Gancia, em seu blog.

    beijos!

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  2. Nossa, moço,

    Vou dar uma conferida no texto do Inácio... Também achei que A Origem aproveitava a estrutura do "grande roubo" de filmes como "11 homens", ms não fiquei com essa impressão de que o Nolan tentou dar um golpe na platéia por meio das referências filosóficas/literárias/cinéfilas, rsrsrs
    Acho que as pessoas sempre querem que as coisas sejam mais, mais intensas, mais profundas... É possível que esse efeito seja mais um sinal dos tempos, como diria minha avó, do que caso pensado, mas enfim, rsrsrs

    Bjs

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  3. Reinaldo, parabéns pela atitude democrática de colocar uma visão contrária a sua aqui no blog.

    Também discordo do crítico. Para mim, A Origem está entre os melhores filmes do ano.

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  4. Cássio: Tomara que acrescente a sua elaboração sobre o filme meu amigo. Grande abraço.

    Kamila:Valeu Ka. Concordo plenamente com sua colocação, mas não gostei do comentário da Bárbara Gancia não. Achei revanchista e rancoroso. No caso dela, acho que ela não entendeu o filme mesmo... ou esperava algo radicalmente diferente. Enfim, justamente para separar ataques gratuitos de ponderações embasadas é que destaquei o texto do Inácio Araújo. Bjs

    Aline:Acho A origem suficientemente profundo no que se propõe, a jornada de redenção do personagem de DiCaprio. A trama é simples, mas desenvolvida de maneira complexa. Para se ter uma ideia é o oposto de O cavaleiro das trevas em que Nolan tinha uma trama relativamente complexa e a desenvolveu de maneira simples. Não acho que Nolan engana a platéia com recursos banais, tão pouco que copie Onze homens e um segredo. Afinal, a ideia de heist movie é prévia a Onze homens. Assim como a do sujeito que tem de fazer um último serviço antes de voltar para a família. Mas concordo com alguns pontos levantados pelo Inácio em seu texto. Bjs

    Diego:Obrigado pelo apoio e pelo gentil reconhecimento Diego. É sempre bom quando um olhar aguçado como o seu reconhece detalhes como esses. Tb acho A origem um dos melhores filmes do ano. Só de se apresentar como um entretenimento pensante e que provoca o espectador constantemente já faz valer esse status.
    abs

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