domingo, 8 de maio de 2011

Insight

O cinema de horror entre os filmes da série Pânico

Pouco antes do lançamento de Pânico 4, o diretor dos quatro filmes da série, Wes Craven, disse que Pânico está para o cinema de terror como Star Wars está para a ficção científica. A comparação, a princípio despropositada e pretensiosa, ostenta forte ressonância. Pânico, de fato, realinhou a produção do gênero nos anos 90 gerando cópias descaradas e restabelecendo o status quo dos filmes de horror, agregando-lhe mais charme e senso de humor. Características que andavam perdidas do gênero até o retorno do Ghostface e de Sidney Prescott a Woodsboro.

Gente como George Romero (foto) seguiu
rodando seus filmes clássicos

Com o desgaste da série (além dos três filmes rodados quase que a toque de caixa, a profusão de cópias e filmes que “homenageavam” Pânico contribuíram para esse processo), o cinema de terror americano se viu na contingência de buscar um novo hype. Além de Craven (que era a última palavra no gênero), não havia outro expoente americano que pudesse revitalizar o gênero levando-o para outra direção. Foi no terror nipônico, e numa duvidosa leva de refilmagens, que o cinema de terror americano se abrigou. Enquanto gente como Dario Argento e George Romero mantinha uma produção menor e mais circunscrita, gente como Robie Zombie e Zack Snyder os reverenciavam em refilmagens bacanas. Mas foi a onda desencadeada por O chamado e O grito, com seus espectros soturnos e fantasminhas nada camaradas, que ditou o cinema de terror no começo da década passada. Até que em 2004, um filme independente premiado em Sundance chamou a atenção. Rodado com pouco mais de U$ 1 milhão, Jogos mortais, do novato James Wang, agradou público e crítica. O assassino Jigsaw se provaria uma figura tão carismática e sedutora quanto o Ghostface e a série (com uma queda de qualidade abismal) se tornaria a mais longeva de um saga de terror moderna. Jogos mortais surpreendia pelo inusitado grafismo com que expunha a violência. Esse grafismo foi ficando desmedido e ganhando contornos pornográficos nas sequências absolutamente gratuitas. Faltava aos realizadores de Jogos mortais a exuberância narrativa que Wes Craven pauta a série Pânico. Apesar de embutir o senso de humor na série, Jogos mortais nunca excedeu a obviedade do filme de gênero e tornou-se refém de clichês. Essa chaga foi devidamente contornada por Pânico com o advento do quarto filme. Craven se incumbe de sublinhar as diferenças entre a série e os filhotes de Jogos mortais logo na cena de abertura.

Igual, mas diferente: Eli Roth está movimentando a produção de terror nos EUA


Paralelamente a isso, desponta na cena de terror, o nome de Eli Roth. Apadrinhado pelo cineasta Quentin Tarantino, o realizador dos interessantes Cabana do inferno e O albergue, mostra-se um produtor ativo e revela o anseio de arejar o gênero. Seus filmes, é bem verdade, se ajustam mais a Jogos mortais do que a Pânico. Mas Roth demonstra estofo criativo para superar imposições mercadológicas e, mais que isso, uma linguagem própria que pode levá-lo além.
Pânico 4 estréia para mostrar que Roth pode até fazer o seu O senhor dos anéis. Mas que para os fãs, Star Wars sempre terá a primazia.

4 comentários:

  1. Apesar de fã de Star Wars devo concordar com Craven que Pânico marcou o gênero de uma forma definitiva. Podemos considerar o antes e depois dele, sem dúvidas.

    Boa matéria, Reinaldo.

    bjs

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  2. Amanda: Valeu pelo valioso feedback.
    Bjs

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  3. Adoro seus insights rs, ainda mais quando fala do gênero que me apresentou, digamos assim, o cinema.
    Eu estou muito descontente com o cinema de terror contemporâneo. Certamente, "interessante" e "bacana" não seriam as expressões que eu usaria para adjetivar os filmes dirigidos e produzidos por Rob Zombie, Eli Roth e companhia, considerando a falta de olhar, noção e criatividade que lhes parecem nulas.
    Adoro os 2 primeiros "Jogos Mortais", mas devo concordar que, lamentavelmente, a franquia se sabota em sua pornografia gore. E Zombie assassina os clássicos com remakes abomináveis e sem tato.
    Vez ou outra, tem filmes que salvam, mas o pipocão mesmo está bem abaixo do nível.

    abraço!

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  4. Elton: Valeu pelo afago. Estou gostando muito da receptividade da seção Insight. E vc foi um dos primeiros a destacá-la. Pois é, Pânico tem seu lugar de destaque nessa galeria de horror moderno e Wes Craven tá muito certo em assinalar isso.
    Abs

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